Tempestade trouxe primeiros japoneses a SC em 1803
Navio russo desembarcou em Florianópolis com quatro tripulantes do Japão
A história da cultura japonesa no Brasil tem como data comemorativa o dia 18 de junho de 1908, quando os primeiros imigrantes japoneses chegaram no porto de Santos, a bordo do navio Kasato Maru.
Foi o início do processo de imigração, desencadeado por tratados comerciais iniciados anos antes com uma viagem do navio da Marinha Brasileira Almirante Barroso ao porto japonês de Yokohama no ano de 1889.
Entretanto, este não foi o primeiro contato de japoneses com brasileiros. Registros guardados pelo Ministério da Marinha da Rússia Imperial relatam a aventura de quatro náufragos japoneses e sua passagem por terras brasileiras um século antes do desembarque do Kasato Maru.
Em 1793, o barco a vela japonês Wakamiya Maru, de Mutsu, atual província de Miyagi, foi assolado por uma tempestade e se perdeu no mar gelado do norte do arquipélago. Dez sobreviventes conseguiram chegar à Siberia, onde ficaram por oito anos. Mais tarde, eles foram enviados a São Petesburgo, capital do Império Russo na época.
Quatro dos náufragos aceitaram a oferta do czar Alexandre I de servir de intérprete na primeira expedição comercial-militar russa de circunavegação do globo. Um dos objetivos da viagem era o de estabelecer relações com o Japão.
Dois navios da Marinha Imperial Russa, Nadeshda e Neva, deixaram o país em 1803. As embarcações seguiram pelo Oceano Atlântico Norte rumo ao Sul, passando por:
- Ilhas Canárias (noroeste da África)
- Brasil
- Estreito de Magalhães (Chile)
- Ilhas Marquesas (Polinésia)
- Havaí
No Havaí, a expedição se separou. Um dos barcos se dirigiu ao Japão e retornou à Rússia passando por Macau (sudeste da China) e pelo Cabo da Boa Esperança (sul da África).
No Brasil, uma tempestade os lançou em solo estranho, desta vez na Ilha de Santa Catarina, em 1803. A recuperação e abastecimento dos navios levou 70 dias. Durante esse tempo, os japoneses registraram em seus diários os fatos curiosos do local. A aventura teve um final feliz, com o retorno deles ao Japão no início de 1805.
A expedição retornou à Rússia em 1806. A tentativa diplomática fracassou por causa da política japonesa de isolamento internacional, só quebrada em 1854 pelos Estados Unidos.
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